Tag Archives: aneurin barnard

The White Queen

13 ago

whitequeen

The White Queen é uma minissérie em 10 capítulos baseada na série de livros The War of Roses de Philippa Gregory (livros estes que eu não li).

A série se passa durante a Guerra das Duas Rosas quando os York (rosa branca) e os Lancaster (rosa vermelha) se enfrentaram sucessivamente para tomar o poder da Inglaterra. O foco são as mulheres por trás dessa guerra, principalmente Elizabeth, a futura esposa do Rei Edward IV e assim, rainha da Inglaterra.

Elizabeth mora no campo e é viúva e mãe de dois filhos, quando conhece Edward (York), que estava passando pela vizinhança (claro que todo dia tem um rei num cavalo branco aqui na esquina da minha casa, mas ele não é bom o suficiente pra mim, então eu ignoro). Ela pede ajuda a ele para recuperar a herança de seu marido falecido e consegue mais que isso: também ganha o coração do rei.

Os dois se casam e isso traz vários inimigos à Elizabeth, pois Edward estava prometido a uma princesa francesa, o que melhoraria as relações da Inglaterra com aquele país. Acrescente a isso o fato de ela ser mais velha que Edward E ter o dom da Visão, eufemismo pra bruxaria, bjs. Assim, logo no primeiro episódio fica claro o que vai acontecer durante toda a série: enquanto Edward luta pelo trono nos campos de batalha, Elizabeth tem que lutar por sua reputação e seu direito de reinar no castelo.

Claro que ela não é a única mulher importante na trama. Também temos Margaret Beaufort, que está do lado dos Lancasters e sonha em ver seu filho, Henry Tudor (SIM, ELE MESMO) no trono. Também tem mais uma garota que vai fazer um estrago tremendo, mas prefiro não mencioná-la porque seria muito spoiler, visto que a princípio não se tem por que desconfiar dela.

A série conta com tudo que se pode esperar da Idade Média: guerra, intrigas, traições, bruxaria eeeeeee PENTEADOS MARAVILHOSOS. Sério, gente, eu fico boba com a mirabolância (palavra com selo Saramandaia de qualidade) dos cabelos dessas mulheres! Dá pra escrever um livro só sobre as tranças e coques que as mulheres usam! Em contrapartida, o figurino deixa a desejar por motivos de: PARECE QUE NINGUÉM TROCA DE ROUPA! Nem Elizabeth, que é rainha, parece ter mais de cinco vestidos diferentes.

Outra coisa que me incomoda é o fato de em alguns momentos, tudo parecer muito corrido. Claro, era de se esperar, ao tentar adaptar três ou quatro livros e um período de 30 anos em apenas 10 episódios. E outra coisa a se pensar é: por que todo mundo tem os dentes tão perfeitinhos?????? I mean, essa é a idade medieval, as pessoas nem passavam dos 30 anos!

Mesmo assim, a série me pegou desde o primeiro episódio e mal posso esperar pra saber o que vai acontecer no final (estou me segurando pra não pesquisar sobre a verdadeira história pra realmente me surpreender)! The White Queen está em seu nono episódio, sendo que cada um tem uma hora de duração. Ainda dá tempo de se atualizar antes de a série acabar então veeeeeeem gente!

E pra finalizar, gostaria de compartilhar essa abertura linda com vocês:

ywybv8ilgg1y5hfv9ks9

Anúncios

We’ll Take Manhattan

20 mar

tumblr_mdvj9z0yeW1ql4wklo1_250

“In 1962 no one had heard of The Beatles. No one expected to be famous who was not born rich or titled. And there was no such thing as youth culture.” 

É com essas palavras que começa We’ll Take Manhattan. O filme se passa na Londres do começo da década de 1960, onde o jovem fotógrafo David Bailey decide deixar o estúdio de John French, no qual era assistente, para começar a tirar suas próprias fotos e fazer as coisas do seu jeito. Ele passou a trabalhar no John Cole’s Studio Five, onde começou a definir seu estilo.

Algum tempo depois, Bailey é contatado por um editor da Vogue que quer contratá-lo. A princípio, ele não aceita (E AINDA DIZ QUE NINGUÉM LÊ VOGUE!!!!! GENTE, PFVR, MORRI OU MORRI?), alegando que o cachê é muito baixo. Ao desligar o telefone, Jean Shrimpton aparece e Bailey troca algumas palavras com ela. Mal sabia ele que ela se tornaria sua musa. Mais um telefonema, um aumento no cachê e Bailey era da Vogue.

Bailey se lembrou de Jean e trabalhou com ela em um editorial de noivas. Eventualmente, eles viraram amantes. Sim, amantes, pois Bailey era casado. Depois de levá-lo para passar a noite no celeiro de sua casa (aka fazenda), Jean é expulsa de casa pelo pai e vai morar com Bailey. Logo depois, ele é convidado para participar de um novo projeto da Vogue.

Young Idea Goes West era sobre os jovens. A revista percebeu que o público jovem queria algo diferente, que tivesse a sua cara e, portanto, precisava de um fotógrafo jovem para fazer algo a altura. As fotos seriam feitas em Nova York com a supervisão de Lady Clare Rendlesham, a editora de moda. Bailey disse que toparia se Jean fosse a modelo. Houve protestos por parte da staff da Vogue que achava que Jean não condizia com a imagem da revista e não era adequada para modelar. Mas Bailey bateu o pé e conseguiu convencê-los. Próxima parada: NEW YORK, NEW YOOOOOOOORK.

Na cidade que nunca dorme, Bailey e Lady Clare bateram de frente. Ele queria tirar fotos inovadoras e ela queria fotos conservadoras. Ele estava cansado da fotografia de moda época: modelos em poses rígidas e impossíveis, sempre com o nariz em pé e em cenários bonitos e impecáveis. Enfim, fotos pouco realistas que só representavam o mundo da moda do jeito que era: extremamente esnobe e aristocrático.

Bailey queria mais. Fotos que mostrassem a realidade: cenários cotidianos, como a rua, mesmo que transeuntes estivessem passando no momento da foto; modelos à vontade, em poses pouco calculadas, modelos que não precisavam ser filhas de alguém importante pra fazer sucesso; enquadramento não tão certinho etc. Até o seu equipamento era diferente: uma câmera de turista, como bem disse Lady Clare, ao invés de uma câmera profissional. Bailey queria mudança. Bailey queria quebrar a tradição. E ele conseguiu.

Aquele editorial, pelo qual Lady Clare se descabelou achando que era errado, vulgar e até mesmo feio, se tornou um marco e mudou a fotografia de moda e o comportamento dos jovens para sempre. Nas fotos, Jean usava alta costura nas ruas, como que para provar a democratização da moda. A partir de então, as fotos ficaram menos controladas e mais espontâneas. A moda se livrou das amarras da aristocracia, deixando de ser para os poucos bem nascidos e passando a fazer parte da vida de todos os que quisessem fazer parte dela, independente de classe social. É engraçado pensar que sim, a moda ainda é pouco democrática nos dias de hoje. Mas quando se vê como era antes e se compara com a atualidade, a diferença é gritante.

Aneurin Barnard, que interpretou Bailey, fez um ótimo trabalho como o fotógrafo de sotaque cockney (um sotaque inglês taxado das classes mais pobres de Londres) que revolucionou toda uma indústria com seu jeito atrevido e agressivo antes de existir a contracultura e antes do jovem ser valorizado e ouvido. Ele convenceu tanto que você simplesmente acha que ele é daquele jeito na vida real (e talvez seja, who knows). Ele tinha 24 anos quando fez o filme (mesma idade de Bailey em 1962) e tem a mesma altura de Bailey. E até o filho mais novo do fotógrafo teve que admitir que Aneurin ficou idêntico a seu pai nos áureos tempos. E vamos apenas relevar que o nome dele parece aneurisma e focar no que importa: o cara é gato.

Eu comecei a assistir o filme só porque era sobre moda, sem saber nada a respeito. E aí BOOM! Karen Gillan happened. Jean foi interpretada por ela (sim, a Amy Pond de Doctor Who). Ela teve que usar uma peruca simplesmente pavorosa. Não que fosse feia, mas era meio dura e era perceptível que não era cabelo de verdade. Karen também não é muito parecida com a Jean de verdade, mas who cares quando se é linda e ruiva? O que deve se ter em mente é que ela interpretou uma das pessoas mais icônicas de um dos períodos mais icônicos de todos os tempos, os anos 60. A pressão de viver a primeira supermodelo ever (e você aí achando que a primeira tinha sido a Twiggy) deve ter sido enorme e acho que ela deu o seu melhor dentro das circunstâncias. E o mais importante: ela ficou bem nas fotos.

O mais interessante desse filme é conhecer as mudanças, o quanto teve que ser batalhado pra chegarmos onde estamos hoje. De uma fotografia totalmente ensaiada e polida pra outra espontânea e livre. Sim, ainda temos que caminhar muito pra uma moda mais acessível, mas é bom saber que se pelo menos uma pessoa quiser mudar, tudo é possível. Então, se você gosta de moda, fotografia e rebeldia (ou se você só quer ver o Aneurin de tight jeans e leather jacket), We’ll Take Manhattan é o filme perfeito!

ywybv8ilgg1y5hfv9ks9